12 de mar de 2014

Violência Obstétrica

Sinceramente, não se se todas as grávidas fazem isso ou não. A vida inteira disse que ia fazer cesárea e brincava que era por que eu queria ir maquiada ao hospital. Até engravidar.... Depois que engravidei, seu foco sai de você para o bebê. Fato! Ninguém te obrigada! Não sou contra a nenhum tipo de escolha de parto. Cada mulher sabe de si e dos seus medos e anseios. Mas da mesma forma, não aceito críticas à minha escolha. 

Desde que me vi grávida, minha cabeça mudou em relação à cesárea e eu queria muito que fosse parto natural. Conversei com meu marido e ele disse que me apoiaria no que eu decidisse. Conversei com meu médico e ele também disse o mesmo. 

Porém, minha pequena, chegará no meio da Copa do Mundo. Isso me abalou um pouco, por que, sabemos das nossas dificuldades e esperas em hospitais, seja na rede pública, seja na privada. E o jargão "imagina na copa" é sempre válido. 

Não da para não achar que o caos não vá se instaurar. Ainda mais em SP, cujas melhorias de transporte e mobilidades foram mínimas - na verdade o Haddad só piorou! Você vai a um PS privado e fica, no minimo, 4 horas para ser atendido e ter resultados de exames simples. 

IMAGINA NA COPA. 

Conversei com meu obstetra, com um obstetra que mora no meu prédio, com uma amiga que é médica e a opinião é a mesma: vai ser punk na Copa. Além da super lotação, vai ter plantonista bêbado, sem dormir e sabe-se lá o quê e para dirimir os traumas que não precisam ser causados nesse momento tão especial: OPTEI PELA CESÁREA. 

E, tem mais um agravante, que está de forma secundária, mas não menos importante: a profissão do meu marido. Ele é piloto de helicóptero. São Paulo tem a maior frota de helicópteros do MUNDO. Tá fácil né!!! 

E então, desde que tomei essa decisão (e acreditem, cogitei até o parto em casa, hein!), comecei a ler mais sobre a tal violência obstétrica, como diminuir os impactos da retirada do bebê antes da hora natural e etc.; E é APAVORANTE! Liberdade causa libertinagem e muitos obstetras, vergonhosamente, utilizam-se da falta de informação alheia e fazem barbaridades que chegam aos pés da humilhação. 

Andei lendo alguns relatos de mulheres que fizeram cesárea por não terem informação, por terem sido ameaçadas, por terem sido ludibriadas com a informação de que o bebê poderia morrer se a cesárea não ocorresse, enfim, absurdos atrás de absurdos..... e hoje, saiu uma matéria dessa na Folha (clique aqui para ler na íntegra). 

Converso muito com meu obstetra. Conheço ele desde 2001. Ele me atende desde então. Acompanhou todas as fases da minha vida até então, inclusive toda minha luta contra a doença renal que tive em 2010. Conheço pessoas que fizeram o parto com ele. E uma frase que ele sempre fala e que sempre me agradou é "penso nas grávidas como se fossem minha esposa...." , a ponto de dispensar gestante que estará com mais de 28 semanas num período em que ele ficará 40 dias fora do país... 28 semanas = 7 meses, a partir de então, realmente, o bebê pode chegar a qualquer hora e quem quer ser atendido por um plantonista?

Acho que nós gestantes e tentantes e até as mamães de 2a, 3a instância, precisam se informar e como disse (e fez !) uma amiga minha, se não se sentir confortável, mudar de médico (esta mudou uma ou duas semanas antes do filho nascer!) e buscar sentir-se o mais confiante e amparada possível.

Visitar a maternidade, questionar, perguntar, perguntar e de novo perguntar. Montar um plano de parto, nem que seja mental e DISCUTIR com seu médico. Ele não está te fazendo um favor e se estudou, é para lhe orientar e não impor! 

É isso! E boa hora para todas nós! 

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